uma casca de ferida

uma casca de ferida

tampa morta da dor

agarra um fio de pele

uma hora esconde

outra hora exibe

o que pulsa por baixo e por dentro de mim

 

nessa dança mórbida

de compasso de pele pendurada

o corpo sua uma gota

não de suor, mas de sangue

que escorre peito abaixo

e me desenha caminhos

rubros e imprevisíveis

 

perdida nesses traçados

descubro-me corajosa:

com a força de um suspiro

e de um dedo indicador

arranco a casca da ferida

 

em um segundo acabo

com tudo aquilo que baila

a dor de uma valsa podre

e assim, renovada

invento outra levada

para passos de cicatriz.

 

* Poema selecionado pelo Concurso Nacional Novos Poetas, Prêmio Sarau Brasil 2014.

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