Terapêutica II

eu era pássara

no ninho,

filhote

a imitar a mãe.

ovo rompido

e depois era eu,

a mãe,

coruja zelosa

com a cria

entre as asas.

até que um dia

reconheci-me outra,

andorinha

com desejo de fazer verões

por aí.

hoje sou canarinha

e canto

desafinada, solta

pela liberdade

de um trajeto próprio.

uma mulher-ave

que nem sempre sabe

em que ninho vai pousar,

mas tem a certeza

de que vai no embalo

de um voo solo.

 

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